Após 2 meses de queda, inadimplência cresce em janeiro e atinge 61,3 milhões de brasileiros

Avanço de 1,38% no primeiro mês de 2019, entretanto, foi a segunda menor variação para meses de janeiro em uma década, segundo pesquisa da CNDL/SPC Brasil.

Após duas quedas mensais consecutivas, a inadimplência do consumidor cresceu em janeiro, segundo pesquisa divulgada nesta sexta-feira (14) pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

Segundo o levantamento, o volume de consumidores com contas em atraso cresceu 1,38% em janeiro, na comparação com igual período do ano passado. Com isso, a estimativa é que o país tenha fechado o mês de janeiro com aproximadamente 61,3 milhões de consumidores inscritos em cadastros de devedores, o que equivale a pouco mais de 39% da população adulta do Brasil. Em dezembro, eram 61 milhões.
Apesar do aumento da inadimplência no início de 2020, o avanço de 1,38% foi a segunda menor variação para meses de janeiro em 10 anos de série histórica da pesquisa.

“Considerando esse período, apenas em janeiro de 2017 houve um crescimento tão fraco, quando a alta havia sido de 0,84%. Nos demais anos, os crescimentos foram sempre mais expressivos do que o verificado agora em 2020”, destaca o levantamento.

Na avaliação do presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior, o avanço da inadimplência neste começo de ano não deve ser motivo de preocupação, uma vez que os números seguem abaixo do patamar alcançado durante a crise.

“Os dados econômicos têm se mostrado benéficos para a trajetória da inadimplência, em especial para a recuperação do mercado de trabalho, juros historicamente baixos e inflação controlada. Ainda que o cenário seja otimista, parte relevante das famílias tem lidado com dificuldades para quitar dívidas que já estavam em atraso, tanto é que há um estoque elevado de pessoas com contas sem pagar”, afirmou.

Inadimplência cai entre os mais jovens, mas cresce entre os idosos
O indicador mostra também que a inadimplência continuou a cair entre a população mais jovem, enquanto cresce entre os mais velhos.

Em janeiro, houve uma queda de 20,17% no volume de consumidores inadimplentes na faixa dos 18 aos 24 anos. A queda também foi constatada entre os que têm de 25 a 29 anos (-10,08%) e na faixa dos 30 aos 39 anos (-1,76%).

Por outro lado, a inadimplência cresceu 5,35% entre os idosos de 65 até 84 anos. Considerando as pessoas de 50 a 64 anos, houve uma alta de 3,44%. Já na faixa que vai dos 40 aos 49 anos o avanço foi de 2,28%.

“Um dos fatores que impulsiona a inadimplência dos idosos é o empréstimo de nome. Com o desemprego elevado, em muitas famílias o idoso que recebe a aposentadoria é a única fonte de renda e a facilidade de acesso ao crédito consignado é uma razão que estimula o empréstimo de nome a terceiros”, explicou Pellizzaro Junior.

O indicador é feito a partir das bases de dados às quais o SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e a CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) têm acesso. As informações disponíveis referem-se a capitais e interior das 27 unidades da federação.

Norte lidera alta da inadimplência

Segundo o levantamento, o Norte apresentou a alta mais expressiva na quantidade de inadimplentes em janeiro, com avanço de 5,48% na comparação anual. Na sequência, aparecem o Centro-Oeste (2,95%), Sudeste (1,69%) e Sul (1,29%). Já a região Nordeste apresentou recuo de 0,05%,

A pesquisa estima em 25,3 milhões o número de cidadãos com o nome em cadastro de devedores no Sudeste. O Nordeste reúne 16,8 milhões de inadimplentes e o Sul, pouco mais de 8,2 milhões de pessoas nessa situação. O Norte conta com 5,9 milhões de consumidores com CPF restrito e o Centro-Oeste com 5,1 milhões.

Fonte G1

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